quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Pausa ....


um desvio dos lábios, um segredo
um entorpecimento de versos, um temor
pauso-me à vida, espero-te - e aguardo-me
à vertigem cega, às ruínas
ao olhar crente descrente do amor

uma nudez cerrada, um tormento
uma lágrima que fere, um aplauso incólume
às vezes acordo vaga do meu sonho
e vêm as faces do fogo, as persianas rompidas
a ilusão de um espelho em nós

uma ausência, um corte, uma quimera
uma distância que rasga, implora, abstém-me à cor
escoam-me mundos, naufrágios, receios - sentidos
passam dias cá fora, talvez meses dentro
deixa-me ruir, desfalecer, sumir

talvez um dia me decifre

talvez um dia me acenes

talvez...

talvez ...

enquanto te espero .... pauso ...

4 comentários:

Oliver Pickwick disse...

A pausa, como uma interrupção temporária, é um aliado precioso em nossas vidas. É a duração do silêncio que precede o burburinho da vida luminosa.
Percebo que 2010 é um ano inspirador para você.
Um beijo!

_E se eu fosse puta...Tu lias?_ disse...

Sarava!


Podia ser um poema do Pedro Abrunhosa! Gostei.

beijinhos

Graça disse...

Talvez... talvez, mas que nunca seja a "pausa" do sentir...


Minha querida Mena, adorei ler-te. Saudades tamanhas :)).


Beijo de todo o carinho, para todos os dias.

ઇઉ Aralis ઇઉ disse...

.......Amei ler----amei mesmo!

Lindas palavras.

bjo